𝐂𝐚𝐛𝐨 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐧𝐨 𝐂𝐀𝐍: 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨 𝐚𝐛𝐬𝐨𝐥𝐮𝐭𝐨 𝐞 𝐨 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 | Dai Varela

1 de fevereiro de 2024

𝐂𝐚𝐛𝐨 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐧𝐨 𝐂𝐀𝐍: 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨 𝐚𝐛𝐬𝐨𝐥𝐮𝐭𝐨 𝐞 𝐨 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨

O desempenho da nossa Seleção de Futebol no Campeonato Africano das Nações (CAN) traz um interessante debate entre as perspectivas relativa e absoluta. Como sabemos, há uma discrepância populacional entre Cabo Verde, uma nação insular com uma população relativamente pequena, e os grandes países africanos, cujas populações são significativamente maiores.



A análise absoluta tende a favorecer os países com maiores populações. Teoricamente, nações como Nigéria, Egito, Gana e África do Sul, com as suas populações volumosas, possuem uma base maior de talentos de onde escolher os seus atletas. Logo, eles têm uma maior probabilidade de descobrir jogadores excepcionais e formar equipas competitivas. Se Cabo Verde tivesse se intimidado com o absoluto teria perdido com o Gana, Moçambique ou Egipto e não estaria na fase seguinte como líder do grupo. Digno de celebração!

Mas a nossa Selecção de Futebol aplica a análise relativa para nos proporcionar uma perspectiva diferente, na qual o sucesso é medido não apenas por conquistas absolutas, mas também pelo desempenho em relação às capacidades e recursos disponíveis. Com a nossa pequena população, Cabo Verde emerge como um exemplo notável e demonstra como o sucesso relativo pode ser tão impressionante quanto as conquistas absolutas dos gigantes africanos. Em África somos pequenos em território terrestre e populacional, mas existe um enorme potencial no aproveitamento dos talentos emergentes em países com populações menores. Que o diga Cabo Verde que sairá deste CAN como inspiração de um modelo de desenvolvimento focado na qualidade e na formação técnica em meio à escassez. Se as cabras nos ensinaram a comer pedras para não perecermos, os tubarões nos ensinaram a importância da assertividade e da persistência.

Da leitura do actual, os “Tubarões Azuis” desenvolvem uma importância que ultrapassa o campo de jogo. Progressivamente mostra-se como um elemento unificador e fonte de orgulho nacional, fortalecendo a identidade nacional e inspirando as gerações futuras. Aqueles que lá querem estar e aqueles que tenderão a fincar o pé para conseguirem convencer os seus agentes, empresários e clubes na Europa. É interessante ver Cabo Verde desafiar as expectativas perante o poderio das nações africanas, dinamizar a paixão pelo futebol, celebrando a nossa Seleção Nacional.

Contudo, este sucesso que está a ser o CAN, seja relativo ou absoluto, deverá estimular o investimento no desporto ao nível local? Provavelmente. Há vários desafios no âmbito desportivo que Cabo Verde enfrenta, como infraestruturas inadequadas, a falta de investimento e questões de governança no desporto que deverão merecer uma atenção dos decisores.

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